
Crédito imobiliário pode atingir R$ 411 bilhões em 2026, mesmo com juros elevados
O mercado de crédito imobiliário brasileiro caminha para um resultado histórico em 2026. A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) elevou sua projeção de crescimento das concessões para 25%, estimando um volume total de R$ 411 bilhões até o fim do ano.
A previsão anterior apontava alta de 16%. A revisão ocorreu após o desempenho acima do esperado no primeiro semestre, mesmo com a taxa Selic em patamar elevado.
Segundo análise publicada pelo portal Portas em 28 de agosto de 2026, o crescimento é sustentado principalmente pelos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), do Fundo Social do Pré-Sal e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).
FGTS e poupança sustentam a expansão do crédito
A projeção da Abecip indica que os financiamentos com recursos do SBPE devem alcançar R$ 185 bilhões em 2026, crescimento de 18% em relação ao ano anterior.
Já as operações financiadas com recursos do FGTS e do Fundo Social podem somar R$ 195 bilhões, uma expansão de 38%. Os recursos livres, provenientes de outras fontes, têm previsão de permanecer em aproximadamente R$ 31 bilhões.
A participação dessas diferentes fontes ajuda a explicar como o crédito imobiliário pode crescer mesmo quando os juros continuam elevados. Parte dos financiamentos depende de recursos submetidos a regras específicas, como ocorre nas linhas habitacionais vinculadas ao FGTS.
Financiamento para construção registra forte avanço
Os dados do primeiro semestre também mostram diferenças importantes entre o crédito destinado à compra de imóveis e aquele utilizado para financiar a construção de novos empreendimentos.
Entre janeiro e junho de 2026, os financiamentos do SBPE destinados à aquisição de imóveis somaram R$ 67,2 bilhões, alta de 12% em relação ao mesmo período de 2025.
Já o crédito para produção imobiliária alcançou R$ 26,5 bilhões, crescimento de 107%. O resultado demonstra uma expansão expressiva dos recursos destinados às empresas responsáveis pelo desenvolvimento de novos empreendimentos.
Essa movimentação merece atenção de incorporadores, construtores e demais agentes do setor, pois o financiamento à produção influencia a capacidade de desenvolver projetos e ampliar a oferta de imóveis.
Juros elevados continuam pesando para o comprador
O crescimento do volume de crédito não significa que financiar um imóvel tenha ficado mais barato.
Especialistas ouvidos pelo Portas explicam que as taxas dos financiamentos imobiliários não acompanham automaticamente as variações da Selic. O repasse depende também das fontes de recursos utilizadas pelos bancos, dos custos de captação e das condições de cada modalidade.
Na prática, o mercado pode registrar aumento nas concessões enquanto parte dos consumidores continua enfrentando dificuldades para assumir um financiamento de longo prazo.
A diferença é importante: a disponibilidade de recursos para emprestar não significa, necessariamente, crédito acessível para todas as famílias.
Minha Casa, Minha Vida ganha espaço no mercado
O desempenho do crédito habitacional também está relacionado à expansão dos programas voltados à moradia popular.
Segundo os dados citados na reportagem original, as vendas de imóveis enquadrados no Minha Casa, Minha Vida cresceram 15,5% no período analisado, enquanto as vendas de unidades de médio e alto padrão recuaram 3,2%.
Esse contraste evidencia comportamentos distintos entre os segmentos. As condições de financiamento e os recursos direcionados à habitação ajudam a sustentar a demanda das famílias atendidas pelo programa, enquanto os juros elevados pressionam a capacidade de compra de parte da classe média.
Para o mercado imobiliário, compreender essas diferenças é fundamental para avaliar o público de cada empreendimento e as condições necessárias para viabilizar as vendas.
Crescimento em 2027 ainda depende de fatores econômicos
Apesar da perspectiva de recorde em 2026, especialistas apontam incertezas para o ano seguinte. A disponibilidade de recursos, o custo de captação dos bancos e a evolução dos juros de longo prazo estarão entre os fatores que poderão influenciar a continuidade da expansão.
Outro ponto de atenção é o equilíbrio entre lançamentos e demanda. Caso as empresas mantenham um ritmo elevado de novos projetos enquanto o crédito se torna mais restrito, parte do mercado poderá enfrentar dificuldades para comercializar os imóveis lançados.
O cenário exige atenção tanto de incorporadores e loteadores quanto de compradores e investidores. Mais crédito pode favorecer o setor, mas os resultados dependem das condições de financiamento e da capacidade real de compra das famílias.
A projeção de R$ 411 bilhões indica um ano de forte movimentação no crédito imobiliário brasileiro. Ainda assim, acompanhar a evolução dos juros, das fontes de financiamento e das vendas será essencial para compreender os efeitos desse crescimento sobre os diferentes segmentos do mercado.
Fonte: Portas, portal especializado em mercado imobiliário.
Autor da matéria original: Clayton Freitas.
Matéria original: https://portas.com.br/mercado-imobiliario/por-que-o-credito-imobiliario-ruma-para-recorde-de-r-411-bilhoes-mesmo-com-selic-a-14/