
Crédito imobiliário cresce 23% no primeiro semestre e supera expectativas para 2026
O crédito imobiliário brasileiro movimentou R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado superou as expectativas iniciais do setor e levou a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) a anunciar que revisaria suas projeções para o ano.
Entre janeiro e junho, aproximadamente 680 mil imóveis foram financiados no país. Até então, a estimativa da entidade era de crescimento anual de 16% nas concessões, o equivalente a cerca de R$ 375 bilhões em financiamentos ao longo de 2026. <Cite refs={["turn655704search0"]}/>
Financiamentos com recursos da poupança avançam 29%
Uma parcela importante desse crescimento veio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que reúne financiamentos realizados com recursos da caderneta de poupança.
No primeiro semestre, as operações do SBPE somaram R$ 93,7 bilhões, alta de 29% na comparação anual. O volume permitiu financiar a aquisição de quase 130 mil imóveis novos e usados.
O resultado demonstra a relevância do crédito bancário para o mercado imobiliário, especialmente para compradores que dependem de financiamento para adquirir uma propriedade.
Crédito para construção mais que dobra
Outro destaque foi o financiamento destinado à construção de imóveis. As operações passaram de R$ 12,8 bilhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 26,5 bilhões nos seis primeiros meses de 2026, crescimento de 107%.
Já os financiamentos voltados à aquisição de imóveis alcançaram R$ 67,2 bilhões, avanço de 12% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Mais de 70% dessas operações foram destinadas à compra de imóveis usados.
Os números mostram que o crescimento do crédito não se limita à aquisição de propriedades prontas. O aumento dos recursos destinados à construção também merece atenção de incorporadores, construtores e demais agentes do mercado imobiliário.
Poupança perde recursos apesar da expansão do crédito
Mesmo com o avanço das concessões, a captação líquida da poupança continuou negativa. No primeiro semestre de 2026, as retiradas superaram os depósitos em R$ 31 bilhões.
Embora o resultado tenha sido menos negativo que o registrado no mesmo período de 2025, quando as saídas líquidas chegaram a R$ 38 bilhões, a redução dos recursos da poupança continua sendo um desafio para o financiamento habitacional.
Segundo Michel Cury, representante da Abecip citado na reportagem, a procura por crédito imobiliário permanece relevante, sustentada pela formação de novas famílias, pelo mercado de trabalho e pelos programas habitacionais.
O executivo também destacou a necessidade de diversificar as fontes de financiamento, utilizando instrumentos como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) para complementar os recursos da poupança.
O que os números representam para o mercado imobiliário?
O crescimento de 23% no crédito imobiliário indica que a demanda por financiamento permaneceu forte no primeiro semestre de 2026, apesar dos desafios relacionados ao custo dos recursos.
Para quem pretende comprar um imóvel, a expansão das concessões mostra que o crédito continua desempenhando papel importante no acesso à moradia. Entretanto, o crescimento do volume financiado não significa, necessariamente, juros menores ou aprovação facilitada para todos os compradores.
Para incorporadores, loteadores e profissionais do setor, os resultados reforçam a importância de acompanhar a disponibilidade de crédito, as condições de financiamento e o desempenho dos diferentes segmentos.
A revisão das projeções da Abecip será um indicador importante para avaliar as perspectivas do mercado até o encerramento de 2026.
Fonte: BP Money.
Autora da matéria original: Marina Finelli.
Matéria original: https://bpmoney.com.br/economia/credito-imobiliario-cresce-23-1s26-abecip-revisa-projecao-2026/