Crédito imobiliário em 2026: Caixa amplia financiamentos enquanto bancos privados adotam cautela

O mercado de crédito imobiliário brasileiro começou 2026 com estratégias diferentes entre os bancos. Enquanto a Caixa Econômica Federal ampliou a oferta de financiamentos habitacionais, instituições privadas mantiveram uma postura mais cautelosa, mesmo diante das mudanças nas regras de direcionamento dos recursos da poupança.

A alteração busca ampliar gradualmente o dinheiro disponível para financiar imóveis e estimular o mercado habitacional, especialmente para consumidores que dependem de crédito para comprar a casa própria.


Novas regras ampliam recursos para financiamento imobiliário

Uma das principais mudanças anunciadas pelo governo federal foi a ampliação gradual da parcela dos recursos da poupança destinada ao crédito imobiliário. A proporção, anteriormente fixada em 65%, deverá chegar a 80% ao longo de dez anos.

O processo também prevê a redução gradual dos depósitos compulsórios, recursos que os bancos precisam manter retidos. Na primeira etapa, iniciada em janeiro de 2026, o percentual caiu de 20% para 15%, desde que os valores liberados sejam direcionados ao financiamento imobiliário.

A mudança abre espaço para ampliar os recursos disponíveis para empréstimos habitacionais. Entretanto, o efeito sobre o mercado depende também das condições econômicas, dos custos de captação dos bancos e da capacidade de pagamento dos compradores.


Caixa amplia a oferta de crédito habitacional

A Caixa foi uma das instituições que mais rapidamente aproveitaram as novas condições. Segundo o Portal N10, o banco retomou, em março de 2026, o financiamento de imóveis residenciais acima de R$ 2,25 milhões com recursos da poupança, modalidade que estava suspensa desde 2024 devido à escassez de recursos.

Em dezembro de 2025, a instituição também havia retomado a possibilidade de uma mesma pessoa contratar mais de um financiamento imobiliário.

Roberto Ceratto, diretor de Habitação da Caixa, afirmou que a liberação de parte dos recursos anteriormente retidos ajudou a estimular as contratações no início do ano. Na avaliação do executivo, o orçamento disponível permitiria ampliar o ritmo dos financiamentos.

O movimento é relevante para o mercado porque a Caixa tem participação importante no crédito habitacional brasileiro. Uma ampliação das contratações pode favorecer compradores que dependem de financiamento, embora a aprovação continue sujeita às condições de cada operação.


Bancos privados mantêm uma postura mais cautelosa

Enquanto a Caixa acelerou as contratações, bancos privados demonstraram maior prudência diante das mudanças.

Romero Albuquerque, diretor de crédito imobiliário do Bradesco, reconheceu o potencial do novo modelo, mas apontou desafios relacionados ao limite de juros do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), estabelecido em 12% ao ano, e à complexidade de administrar fontes de recursos com prazos diferentes.

Segundo o executivo, a gestão financeira dos contratos imobiliários exige atenção porque os financiamentos costumam ter prazos longos, enquanto as fontes de recursos utilizadas pelos bancos apresentam características distintas. Essa diferença pode elevar a complexidade operacional e influenciar os custos das operações.

A cautela dos bancos privados não significa necessariamente falta de interesse no mercado imobiliário. Ela reflete a necessidade de avaliar os riscos, os custos de captação e as condições para manter a oferta de crédito de forma sustentável.


Juros do financiamento imobiliário devem permanecer relativamente estáveis

Apesar das mudanças nas regras e do início do ciclo de redução da taxa Selic mencionado na reportagem, a expectativa apresentada pelos bancos em abril de 2026 era de relativa estabilidade nas taxas do crédito imobiliário ao longo do ano.

Na Caixa, a previsão era manter as taxas praticadas, salvo mudanças econômicas mais significativas.

No Bradesco, houve redução entre 0,3 e 0,4 ponto percentual em janeiro de 2026, com taxas entre 11,70% e 12,30% ao ano, acrescidas da Taxa Referencial (TR).

O Santander também reduziu suas taxas em fevereiro, em 0,3 ponto percentual, com juros a partir de 11,69% ao ano mais TR.

Essas condições são as informadas na reportagem publicada em abril de 2026 e não devem ser consideradas, isoladamente, como taxas atuais ou garantidas para novos contratos. As condições efetivas dependem do banco, da modalidade de financiamento e do perfil do cliente.


Setor projeta crescimento de 15% nos financiamentos

Mesmo com diferenças de estratégia entre bancos públicos e privados, a expectativa da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), citada pelo Portal N10, era de crescimento de 15% no volume de financiamentos imobiliários com recursos da poupança em 2026.

A projeção sinaliza uma expectativa de expansão do crédito, apoiada pelas mudanças regulatórias e pela maior disponibilidade potencial de recursos.

Para quem pretende comprar um imóvel, porém, a ampliação dos recursos não significa aprovação automática nem garante redução imediata dos juros. Renda, histórico de crédito, entrada disponível, valor do imóvel e capacidade de pagamento continuam sendo fatores importantes na análise bancária.


O que as mudanças representam para o mercado imobiliário

A ampliação dos recursos destinados ao financiamento pode favorecer a comercialização de imóveis e ampliar as possibilidades de compra para parte das famílias brasileiras.

Para incorporadores, loteadores e profissionais do setor, acompanhar a evolução do crédito é importante porque as condições de financiamento influenciam a capacidade de compra dos consumidores e o ritmo das vendas.

O cenário apresentado em abril de 2026 combinava maior disponibilidade potencial de recursos, atuação mais intensa da Caixa e cautela dos bancos privados. A evolução das contratações, dos juros e das condições econômicas seria determinante para avaliar se essa expectativa de crescimento se confirmaria ao longo do ano.


Fonte: Portal N10.

Autor da matéria original: Rafael Nicácio.

Matéria original: https://portaln10.com.br/economia/habitacao-imoveis/caixa-acelera-credito-imobiliario-em-2026-enquanto-bancos-privados-seguram-contratacoes-327737/

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